|






| |
«Decidimos não ir pelo caminho mais fácil, mas pelo que considerámos ser o
melhor...»
São 22.30h e a nossa menina já dorme. Nós dormiremos tão
bem quanto possível, mas com a certeza de que a Inês respira saúde.
Está saudavelmente rechonchudinha e agora, já com seis
meses e alguns dias, temos consciência de
que continuamos, como desde a nascença, a investir no melhor seguro de saúde da
nossa bebé - o aleitamento materno. A nossa filha foi amamentada, em regime de
exclusividade, até aos seis meses.
Desde o início da gravidez, assisti, com muito agrado, a
diversas sessões de esclarecimento sobre aleitamento materno e li também
diversos livros
sobre o mesmo tema.
Agora, recuando no tempo, considero que toda essa
informação me foi bastante útil, mas efectivamente reconheço que não estava
interiormente preparada para viver a situação que haveria de pôr à prova as
minhas forças e a minha auto -confiança.
A Inês nasceu com 36 semanas e pesava 2,720kg. Após o parto
(cesariana), esperei ansiosamente que me colocassem a bebé ao peito, no espaço
de meia hora,
como tantas vezes tinha ouvido. Contudo, a bebé apenas teve forças para agarrar
um peito, o que me deixou muito preocupada. Apesar de muito debilitada, a minha
preocupação foi que a Inês mamasse.
Contudo, ela mostrou-se muito preguiçosa e,
por isso, foram-lhe dados alguns biberões de leite artificial. Como eu temi
aqueles «malditos» suplementos. Até que uma noite, deitada ao meu lado, ela
resolveu mamar. Foi uma grande alegria para mim. Não obstante, a Inês saiu do
hospital apenas com 2,450kg.
Passados dois dias, fomos fazer o «teste do pezinho» e, nessa altura, como a
bebé não chorou, como seria natural, a enfermeira ficou alarmada e decidiu dar
conhecimento da situação à Drª Celina. A Inês não estava a aumentar de peso,
como seria desejável.
Iniciou-se, nesse dia, uma longa jornada que duraria
dois meses. A partir desse dia, com a preciosa ajuda da nossa médica, toda a
família abraçou o projecto da amamentação materna. A Inês precisava de ajuda
para ser alimentada. Por isso, e com o auxílio de um extractor de leite
(«bomba»), retirava aquele precioso líquido para, após cada mamada, tentar que a
Inês se alimentasse melhor. A menina bebia o meu leite, com a ajuda de um
copinho esterilizado, ou através do biberão ou de uma pequena colher.
Evidentemente todo este processo não foi fácil, por diversas razões, que passo a
enumerar:
 |
Como a Inês era muito fraquita, não tinha forças para
mamar, logo o leite não era produzido, conforme seria de esperar. Por esse
motivo, a bebé teve alturas em que não engordava o suficiente; |
 |
Como o leite não saía abundantemente («o peito
não pingava»), e apesar de toda a informação a que tinha tido acesso durante
a gravidez, muitas vezes pensei que a bebé não estava a alimentar-se
devidamente, achando que eu tinha pouco leite; |
 |
Apesar da boa vontade de alguns familiares, a
minha auto -estima foi muitas vezes destruída, por via dos comentários
usuais, tais como «tens o leite fraco»; «seria melhor dares do outro leite à
menina»; |
 |
Usar um extractor de leite materno exige muita
disponibilidade de tempo e muita força de vontade, especialmente durante
dois meses, como foi o meu caso.
|
Apesar das dificuldades e de dias muito difíceis
(praticamente não dormia, para poder suplementar as mamadas), consegui, com a
ajuda da Drª Celina e da família, fazer engordar a Inês. Como já referi, não foi
fácil. Semana após semana, durante dois meses, «tremia» quando pesávamos a Inês,
temendo o dia em
que tivesse que ser internada para ser alimentada através de uma sonda, no
hospital.
Mas, felizmente, decidimos não ir pelo caminho mais fácil,
mas pelo que considerámos ser o melhor para a menina e também para mim.
A amamentação foi, durante algum tempo, dolorosa e, por isso, isenta de prazer.
Mas, com o passar do tempo, aprendi a posicionar bem a bebé e agora, felizmente,
é com orgulho que posso afirmar que amamentar é uma experiência muito
gratificante.
É notória a ligação afectiva que a Inês tem comigo. Além
disso, «respira» saúde e adora mamar.
Curiosamente, e apesar de muitas pessoas me terem
questionado, por volta dos quatro meses de idade da Inês, se ela ainda não comia
sopas e papas, foi com muita alegria que, senti, com o aproximar dos seis meses,
que a bebé sentia necessidade de provar alimentos sólidos.
Haverá prova mais evidente de que o leite materno, em
regime de exclusividade, é o alimento desejável para os bebés, até aos seis
meses? Se assim não fosse, a Inês teria tido vontade de provar outros alimentos
muito antes dos seis meses. Além disso, e paulatinamente, a Inês começou a
engordar normalmente, apenas alimentada com o leite materno.
Deixo assim o meu testemunho, esperando que ele possa ser útil para todas as
mães que, como eu, estão a sentir na pele as dificuldades da amamentação.
Por último, um agradecimento muito especial à Drª Celina, pelo tempo, paciência
e amizade que nos dedicou. Ao meu marido, pela compreensão e apoio
incondicionais. Aos meus familiares, em especial à minha mãe, pelo trabalho e
ajuda prestados.
(Hoje a Inês tem 5 anos. Aos 7 meses pesava 7,810 Kg)
(A. S. L., professora, mãe da Inês)
|